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A família diante das drogas – LIBERDADE, UM DURO APRENDIZADO

 

“Meu filho de 16 anos está fazendo uso de drogas. Precisamos de ajuda para o afastamento dele da cidade e o conseguinte tratamento. Ainda estamos sem chão, porque tudo está vindo à tona com tamanha velocidade, que está nos amedrontando. Queremos ajudá-lo, pois ainda é uma criança.” Jaqueline

De repente, a família se vê as voltas com um dos seus, dependente do álcool ou outra droga qualquer. De repente, na ótica da família. Na realidade, a gestação do problema, que agora “amedronta” a família, foi longa e tem raízes na própria dinâmica do desenvolvimento do ser humano e na falta de preparo dos pais para lidar com ela.
Dependentes, todos nós nascemos. Dos nossos pais, para a sobrevivência física, para dar os primeiros passos e falar, para a iniciação na escola, a prática da convivência e da partilha, o aprendizado da vitória e da derrota, a experiência de amar e ser amado. “O ser humano precisa estabelecer uma relação de dependência no início da sua vida, para ter dentro de si a força para ser independente”.
O corte do cordão umbilical, no ato do nascimento, é o nosso primeiro grito de independência. Depois deste, inicial, devem ser cortados os cordões umbilicais da vida psico-afetiva, da vida social, da vida familiar. O ser humano nasceu para ser livre, este é o seu dom maior. Mas cada conquista, nessa área, é traumática e dolorosa. Sofrem filhos e sofrem pais. É muito mais confortável o bebê abrigado no útero materno, o adolescente na cola do pai e na barra da saia materna, o novo casal morando na casa ou às custas dos “velhos”. Mas ao mesmo tempo decreta a falência da personalidade e a renúncia à autonomia e à liberdade.
O aprendizado da liberdade passa necessariamente pelo aprendizado da responsabilidade. Que começa pela participação na vida doméstica – arrumar cama, manter organizado o seu ambiente, dar conta das suas coisas, apagar as lâmpadas e desligar aparelhos, administrar a mesada -, passa pelo cumprimento das obrigações estudantis e culmina na inserção na vida profissional e no exercício da sua vida afetiva e amorosa. E exigem uma vigilância – não, controle – sábia, continua e amorosa dos pais.
Quando os pais se assustam com um dependente químico dentro da sua casa e “perdem o chão”, esfriem a cabeça e analisem se a sua dependência se restringe às drogas ou se ele continua uma criança num corpão de adolescente ou de adulto. Ou se lhe faltou a assistência necessária na conquista da autonomia.
Ajudar o filho a se libertar da escravidão das drogas é tudo o que se pode esperar dos pais. Mas a mãe considerar um adolescente de dezesseis anos uma criança é um sintoma claro de que ela não deixou que ele crescesse como pessoa – psicológica, emocional e afetivamente – e, quem sabe, não deixa que ele assuma as consequências das suas escolhas. Pior ainda quando “vemos pais ‘viciados’ no ‘vício’ do próprio filho; todas as infelicidades passam a ser explicadas pelo problema da droga”; eles mesmos, os pais, portanto, os maiores “dependentes”.

 
  José Wagner Leão
Assessor de Comunicação da Família de Caná

Artigo publicado em 03/08/2013


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