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A família diante das drogas - Amar de Verdade

Estava assistindo a um programa de televisão, desses de apelo popular. Um psicólogo. Um advogado. Uma senhora dos seus quarenta e cinco anos. A senhora pede ajuda para o filho de 31 anos, dependente de crack, dezesseis vezes internado para tratamento. Ele diz à mãe que quer se libertar das drogas, mas não consegue. A mãe, embora não pareça, se diz desesperada, porque não tem condições financeiras de cuidar do filho, com o seu trabalho de manicure domiciliar. O filho dependente sai de casa e volta quase sempre de madrugada. De vez em quando desaparece algum dinheiro dos irmãos.

O psicólogo aconselha: "Ponha esse irresponsável para fora de casa; ele tem de aprender"... O advogado interrompe aos berros, tomado de falsa indignação: "Que é isso, doutor? Abandonar na rua uma pessoa doente, que precisa de carinho e cuidados?! Que mãe tem coração para fazer tamanha barbaridade". A mãe reforça a revolta do advogado: "Ele precisa é de tratamento e não de algemas; de assistência e não de ser jogado na rua, exposto ao perigo dos traficantes, que matam por qualquer motivo... Em reunião, numa das clínicas onde ele esteve, aprendi sobre amor exigente. Mas me falta coragem." O psicólogo tenta de novo argumentar, mas o advogado o impede com o seu vozeirão; e o apresentador, compungido com a situação e revoltado com a "dica" do psicólogo, transfere a discussão para o telespectador.

O programa em questão se destaca por apelos para o lado emocional, por buscar falar aquilo que as pessoas gostam de ouvir, mesmo que racionalmente não tenha fundamento. Será que se se tratasse da saúde física, qualquer mãe não submeteria o filho a uma cirurgia arriscada, a um tratamento radical, mesmo que doloroso para as duas partes? Será que o filho, que chega sempre de madrugada - quando chega - já não está jogado na rua correndo os riscos que ela quer evitar?

Quem conhece o modo de agir dos dependentes, sabe que, enquanto estiverem acobertados pelo falso amor dos familiares, jamais buscarão ajuda. Se a droga não tivesse algum atrativo, se não causasse alguma sensação agradável, se não servisse como "muleta" social, ninguém seria ingênuo ou louco de se expor à destruição que ela fatalmente acarreta à vida física e psíquica.

Amar nem sempre é dar; muita vez é tomar. Amar é impulsionar e, não, reter. Amar é propor desafios; nem sempre é apresentar soluções. Amar é deixar que o filho nasça para a vida, correndo os riscos que viver oferece. Amar é enxugar a lágrima e, não, impedi-la de brotar, na sua cristalina impulsão interior. Amar nem sempre é sorrir; tanta vez é chorar...

 
  José Wagner Leão
Assessor de Comunicação da Família de Caná

Artigo publicado em 26/01/2013


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