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Comunidade Terapêutica: uma proposta moderna de atenção ao dependente químico

O dependente, agora chamado de residente ou interno, chegou à Casa da Acolhida. Nos primeiros dias, a crise de abstinência das drogas, as dificuldades de adaptação com as regras da casa e a convivência em comunidade são os maiores desafios. A saudade da família e o remorso de tudo que fez de errado invadem sua mente provocando uma sensação que não vai dar conta do tratamento. Apesar de todo apoio da coordenação, dos psicólogos e dos padres, muitos não conseguem superar estes desafios e desistem da internação. Normalmente, a maioria destes volta para as drogas e retomam ao tratamento depois de algum tempo, mais consciente e mais debilitado pelas drogas.

Semanalmente, os residentes têm acompanhamento médico e psicológico com atendimentos em grupo e em particular, além da assistência espiritual dos padres da comunidade.

A acolhida tem um período de 30 dias, tempo em que os residentes não recebem visitas dos familiares. Apenas recebem e enviam cartas uma vez por semana. Este afastamento tem o objetivo de romper com os vínculos "viciados" entre o dependente e os codependentes, além de proporcionar a ausência, tão importante para ambas as partes perceberem como são importantes uns para com os outros. Caso seja necessário, sempre existe um carro de plantão na comunidade para socorrer algum interno com problemas de saúde. Após os trinta dias de internação, o residente passa para a segunda fase do tratamento chamada de CONSCIENTIZAÇÃO.

A CONSCIENTIZAÇÃO: conhecendo a doença da adicção.

Neste período que corresponde a três ou quatro meses (do 2° ao 4° ou 5° mês de internação), de acordo com o desenvolvimento do residente, inicia-se o processo de conscientização da doença. O objetivo é mostrar aos residentes noções básicas sobre a dependência e sobre as drogas, além de procurar aprofundar o conhecimento de todos sobre as relações humanas na comunidade, o na família e na sociedade como um todo. O estudo dos doze passos e as práticas FTI (felicidade, um trabalho interior) é efetuado pelos próprios internos diariamente.

Além disto, o curso de prevenção de recaída vai preparar os residentes para as visitas aos familiares a partir do quinto ou sexto mês de internação (terceira fase). Neste curso o residente vai ser orientado a preencher o seu manual de prevenção de recaída.

A vivência em comunidade com cerca de 30 homens é uma grande escola de tolerância, solidariedade, adaptação, paciência e amor, valores muitas vezes esquecido ao longo da adicção. O trabalho em equipe vai construindo esta convivência comunitária tão importante na socialização do residente, além de ajudar a recuperação física, emocional, social e espiritual.

O atendimento psicológico em grupo e individualmente vem contribuir na construção de um espaço de escuta e de orientação para crises pessoais e do grupo. Durante todo este período, o médico fica disponível uma vez por semana na comunidade para eventuais atendimentos da comunidade. Os residentes são incentivados a participarem dos grupos de Alcoólicos Anônimos e dos Narcóticos Anônimos que reúnem semanalmente dentro da fazenda.

VIDA CONTINUA: A REINSERÇÃO SOCIAL

A terceira fase do tratamento consiste nos cinco ou quatro últimos meses da internação. Nesta fase os residentes começam a se prepararem para sair de visita aos seus familiares. Ao completar cinco ou seis meses de internados, eles adquirem o direito de vir passar de três a cinco dias com a família. Conviver com os problemas familiares, encarar as drogas de perto sem fazer uso delas e enfrentar o grande desafio de recomeçar sua vida.

Após estes dias de visita, o residente retorna à comunidade e continua o tratamento mais um mês para a segunda visita. Ao completar o oitavo mês, o residente se prepara para a terceira visita. Neste período. os residentes possuem a oportunidade de trabalhar suas dificuldades nas visitas com as reuniões da comunidade e com os psicólogos em particular. A troca de experiências com os demais colegas e as orientações dos profissionais são essenciais para ajudar nesta etapa de reinserção do dependente químico na sociedade.

O Acompanhamento terapêutico é voltado para preparar os residentes para a visita e para avaliar as mesmas. Os trabalhos de grupo com os psicólogos têm o propósito de refletir sobre o tratamento da dependência química e sobre os desafios da convivência social no seio da família e na sociedade como um todo. Assim, eles são convidados a darem continuidade ao tratamento no GRUPO DE SEGUIMENTO.

Obs.: Este processo é baseado na proposta da Comunidade Terapêutica Fazenda Recanto de Caná. Outras fazendas adotam outros critérios, porém a base do tratamento é trabalho, disciplina e espiritualidade.

 
  Cláudio Martins Nogueira
Psicólogo Clínico, Especializado em dependência química, e Supervisor Terapêutico da Família de Caná

Artigo publicado em 16/02/2013


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